Reajuste de preços: especialistas indicam quando repassar aumento de custos para o consumidor

A pressão inflacionária sobre os recursos básicos no mercado, como alimentos e medicamentos, juntamente com gastos logísticos e ajustes salariais das empresas, tem levado muitos empresários a transferirem periodicamente esses custos para seus produtos ou serviços.

O medo de aumentar os preços e perder clientes faz com que muitos empresários adiem as mudanças pelo maior tempo possível, mesmo que isso signifique operar com prejuízo. Esse dilema é mais comum entre as pequenas empresas, que enfrentam dificuldades em realizar ajustes imediatos nos preços devido à demanda menor.

Mas qual é o momento ideal para fazer esses ajustes sem prejudicar a oferta ou a demanda? De acordo com Juliana Inhasz, coordenadora do curso de economia no Insper, o momento adequado é quando os clientes têm uma maior capacidade de pagar pelos produtos. Por exemplo, dezembro é um mês em que as pessoas geralmente têm mais renda disponível para enfrentarem aumentos de preços. No entanto, isso não garante que elas irão comprar mais, mas sim que o impacto tende a ser menor.

Consultor recomenda evitar primeiros meses do ano

Já Leonardo Tegg, consultor empresarial do Sebrae (SP), sugere evitar os primeiros meses do ano considerando que as pessoas tendem a ter menos poder de compra nesse período por conta dos gastos do final do ano e dos compromissos orçamentários. Ele recomenda realizar ajustes nos preços duas vezes por ano seguindo a correção semestral da inflação.

Marcelo Aidar, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), ressalta que os empresários devem levar em consideração não apenas o momento certo para alterar os preços, mas também a análise da concorrência e a porcentagem do aumento. Além disso, a observação frequente da demanda é importante para saber se ela é sensível a aumentos de preços em determinado período.

Outros fatores a serem considerados

Para realizar ajustes nos preços, os empresários devem considerar não apenas a inflação nos produtos e recursos adquiridos, mas também outros gastos variáveis e fixos que impactam no preço final das mercadorias. Isso inclui taxas tributárias, despesas administrativas e salários.

É essencial que os gerentes estudem sua base de clientes para entender se os custos podem ser transferidos sem causar um impacto significativo. Também é importante haver uma coerência proporcional entre os índices de inflação considerados pelos empresários, como o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e o aumento pretendido.

Especialistas destacam que setores que lidam com produtos essenciais tendem a sofrer menos perda de clientes diante dos aumentos nos preços.

Ao contrário, muitos consumidores ajustam seus orçamentos para incluir esses produtos básicos em suas compras mensais. A lógica por trás dessa lealdade é…

Pressão inflacionáriaMomento ideal para ajustesFatores a serem considerados
Aumento de preços em alimentos e medicamentosClientes com maior capacidade de pagamentoAnálise da concorrência e porcentagem do aumento
Empresários adiam mudanças para evitar perda de clientesEvitar primeiros meses do anoGastos variáveis e fixos, base de clientes
Pequenas empresas enfrentam dificuldades em ajustar preçosRealizar ajustes duas vezes por anoInflação nos produtos, taxas tributárias, despesas administrativas e salários
Setores de produtos essenciais sofrem menos perda de clientesLealdade dos consumidoresCoerência entre índices de inflação e aumento pretendido

Com informações do site Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

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