Secretário de Economia declara que eliminar parcelas sem juros não é solução para altas taxas de juros do crédito rotativo

Em São Paulo, na última segunda-feira (14), o Secretário de Economia, Fernando Haddad (PT), declarou que eliminar as parcelas sem juros não é a solução para combater as altas taxas de juros do crédito rotativo. Durante o podcast Reconversa com o jornalista Reinaldo Azevedo e o advogado Walfrido Warde, Haddad ressaltou a importância do varejo no Brasil e como as compras são realizadas dessa forma no país.

Embora reconheça que as taxas de juros do crédito rotativo de cartões de crédito sejam um grande problema, o secretário afirma ser necessário estudar outras soluções. Ele destaca a necessidade de proteger aqueles que se veem presos nessa armadilha financeira.

Vale ressaltar que o sistema padrão de compra no Brasil é baseado em pagamentos parcelados. Essa declaração do Secretário de Economia vem após uma manifestação de Campos Neto, presidente do Banco Central, que defendeu a taxação das parcelas sem juros para desencorajar esse tipo de compra.

Banco Central busca soluções para altas taxas de juros

No entanto, segundo uma fonte familiarizada com as discussões ouvida pela Folha, até mesmo a equipe técnica do Banco Central não está favorável à implementação desse modelo de imposto. Representantes do mercado de maquininhas participaram recentemente desse debate. O encontro entre Campos Neto e esse setor foi um ponto inicial para avançar nas conversas.

A fim de estudar uma solução viável para as altas taxas cobradas no crédito rotativo, o Banco Central solicitou aos bancos dados sobre compras parceladas sem custos, sem estabelecer prazos. Essa medida surge como um dos possíveis caminhos, mas não é a única proposta em consideração.

Outra opção sugerida pelos bancos seria condicionar as parcelas sem juros conforme o tipo de bem de consumo: duráveis, semi-duráveis ou não duráveis. O prazo determinado para cada tipo de produto levaria em conta a duração média das parcelas realizadas atualmente. Por exemplo, poderia ser permitido vender eletrodomésticos em mais parcelas sem juros do que roupas.

Contudo, essa proposta de cobrar juros sobre as parcelas sem juros enfrenta críticas de associações de defesa do consumidor e representantes do setor varejista. De acordo com entidades como a Proteste, FecomercioSP, Abranet e Mercado Livre e Mercado Pago, tal medida traria prejuízos aos consumidores e comerciantes.

Abecs está finalizando estudos para reduzir taxas de juros

Cabe destacar que, segundo dados do Datafolha, 75% da população utilizou o crédito parcelado sem juros em 2022. A Abecs (Associação Brasileira das Empresas e Serviços de Cartões de Crédito) está finalizando seus estudos para apresentar alternativas que permitam ao Banco Central reduzir as taxas de juros do crédito rotativo até o fim deste mês.

A Febraban também se posicionou sobre o assunto afirmando que não tem intenção de acabar com as compras parceladas com cartões de crédito. No entanto, reconhece a necessidade de debater os pagamentos parcelados e o impacto das taxas de inadimplência nessas operações no custo e no risco do crédito. A entidade sugere uma transição gradual nessa questão.

NotíciaDataResumo
Eliminação de parcelas sem juros não é solução para altas taxas de juros do crédito rotativo, diz Secretário de Economia14/02/2022O Secretário de Economia, Fernando Haddad, afirmou que eliminar as parcelas sem juros não é a solução para combater as altas taxas de juros do crédito rotativo. Ele destaca a importância do varejo no Brasil e a necessidade de proteger aqueles presos nessa armadilha financeira.
Banco Central solicita dados sobre compras parceladas sem custos como possível solução para altas taxas de jurosO Banco Central solicitou aos bancos dados sobre compras parceladas sem custos como uma das possíveis soluções para as altas taxas de juros do crédito rotativo. Essa medida surge como um dos caminhos em consideração.
Proposta de cobrar juros sobre parcelas sem juros enfrenta críticas de associações de defesa do consumidor e do setor varejistaA proposta de cobrar juros sobre as parcelas sem juros enfrenta críticas de associações de defesa do consumidor e representantes do setor varejista. Entidades como a Proteste, FecomercioSP, Abranet e Mercado Livre e Mercado Pago argumentam que tal medida traria prejuízos aos consumidores e comerciantes.
Abecs está finalizando estudos para apresentar alternativas de redução das taxas de juros do crédito rotativoA Abecs está finalizando seus estudos para apresentar alternativas que permitam ao Banco Central reduzir as taxas de juros do crédito rotativo até o fim deste mês.
Febraban sugere transição gradual para debater pagamentos parcelados e impacto das taxas de inadimplênciaA Febraban sugere uma transição gradual para debater os pagamentos parcelados e o impacto das taxas de inadimplência nessas operações no custo e no risco do crédito.

Com informações do site UOL

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